No campo de busca e otimização computacional, há um teorema bastante difundido que é praticamente um mantra para quem trabalha na área, e que tem sido bastante comentado no contexto de aprendizado de máquina e ciência de dados:

Não existe almoço grátis. [“no free lunch” (NFL) theorem]

A origem da expressão é antiga, mas foi o trabalho de David Wolpert e William Macready em 1997 que consolidou a ideia na área computacional. De maneira simplificada, o teorema propõe que qualquer desempenho elevado de um algoritmo numa classe de problemas é compensado por um desempenho inferior em alguma outra classe. A conclusão computacional relevante aqui é: não existe um único algoritmo que venha a solucionar satisfatoriamente todos os possíveis problemas.

Na matemática financeira, o conceito também é citado com outro significado similar pelo teorema de no free lunch with vanishing risk, ou seja, não há almoço grátis sem nenhum risco. Aqui, o teorema é descrito especificamente no contexto de arbitragem, que envolve comprar e vender um mesmo ativo em diferentes mercados para lucrar com a diferença de preço. O teorema estabelece que a modelagem matemática do mercado financeiro não permite possibilidades de arbitragem sem que haja risco e investimento líquido de capital.

O problema do usuário que cai no scam

Free money!

Recentemente, a comunidade cripto como um todo tem alertado as plataformas sobre o crescimento de scams, principalmente no Youtube, oferecendo criptomoedas grátis mediante um depósito antecipado — giveaways do tipo deposite 1000 nessa carteira e receba 2000. Parece bizarro acreditar que alguém cairia nessa proposta se estivéssemos lidando com dinheiro tradicional, mas o fato de envolver criptomoedas faz o usuário leigo achar que isso é possível.

Não caia na armadilha. Não existe almoço grátis.
Não caia na armadilha. Não existe almoço grátis.

O cerne do problema aqui é a educação financeira. É o usuário achar que existe possibilidade de ganhar dinheiro grátis, sem ter que fazer nada, simplesmente porque alguma alma caridosa resolveu doar sua fortuna, mas exige que você doe primeiro para receber o lucro. É difícil convencer alguém que isso possa ser uma coisa plausível, mas quando uma conta verificada no Twitter publica isso, o tamanho do scam toma novas proporções.

O problema da identidade centralizada

Bill gates hacked.
Obama hacked.

Ao que tudo indica, o ataque ao Twitter foi direcionado aos funcionários “com acesso aos sistemas e ferramentas internas”, o que explicita o quão problemático é confiar nesse tipo de identidade centralizada. O ponto de falha é único: acessou a conta do administrador do sistema, ganhou acesso a tudo que ele gerencia.

A lição que podemos tirar disso tudo é que tais sistemas centralizados de identidade são falhos por definição, porque podem ser facilmente explorados e atacados a partir de um ponto localizado do sistema. Não é preciso derrubar o Twitter nem nada do tipo, apenas conseguir acesso a uma conta de administrador.

Em um momento de crise como a que estamos vivendo, em que boa parte do fluxo de informações que roda pelo mundo (incluindo comunicações oficiais de presidentes) é transmitida através de contas do Twitter, não é difícil imaginar que o estrago poderia ter sido muito maior. A tecnologia blockchain se propõe a questionar e oferecer soluções justamente para esses pontos fracos dos sistemas de confiança atuais. Não há mais dúvidas de que o sistema de identidade na Internet precisa ser reinventado.

Lincon Vidal

Lincon Vidal

Fundador e CEO da EveryBlock.Studio

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